quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Revolução ou Revolucionismo?

A renúncia de Bebeto de Freitas, ex(ainda-atual?)presidente do Botafogo, me fez lembrar de uma outra que nada teve a ver com a péssima atuação de seu time: a de Fidel. Depois de tropeçar em escadas,usar casaco da Adidas - enquanto cubanos tão pouco podem ler O Segredo - receber Chávez e tantas outras caduquices, Castro renuncia à ditadura...ops, à presidência da ilha.
Comandante? Herói? Até os mais simpatizantes de “O manifesto comunista” muitas vezes já devem ter fechado os olhos e pensado: “Com esse comunismo não dá!”. O problema é que esse comunismo nunca existiu, a não ser nos livros de Marx. Será mesmo que muitos entraram em batalhas, foram presos, torturados, mortos pra ter isso? Será que o tal jornalista, tal escritor foi pra Londres, França, prisão, pra hoje não termos Dutra porém, o Lula? Mesmo a protegida do presidente, deputada Matilde Ribeiro,com toda sua pureza não imaginaria tamanho desperdício.
Os fatos mostram a mão forte do Governo Cubano. Quando assumiu o cargo de primeiro-ministro em 59, Fidel e todos do Movimento 26 de Julho não esperavam implantar um sistema comunista, alguns ainda pensavam num sistema democrático-representativo nos moldes conhecidos das repúblicas burguesas. Depois da Revolução, sai Fulgêncio,entram comunistas, Kennedy rompe relações com Cuba e tudo isso resultou hoje num regime ditatorial-comunista. O engraçado é que para mim, esse tipo de paradoxo seria impraticável na política, no entanto, Castro e Hu Jintao realizaram um aborto de ideais para valorizarem seu revolucionismo.
A revolução: até onde valeu a pena? Olhando por um ângulo “caolho”, é aceitável e ainda louvável o trabalho feito na tríade saúde,educação e esporte. Enquanto país subdesenvolvido, Cuba conseguiu atingir uma de suas metas sem interferências externas: igualar seu nível de educação ao de países de primeiro mundo. Valendo-se desta obra genuína, que a cada ano consegue melhorar seu índice de desenvolvimento, ainda que sofra todos os embargos e pressões estadunidenses.
Imagine,um indicador social semelhante no Brasil. Onde a educação gratuita e de qualidade realmente funcione, sem fazer parte de versos de poesia populista. Todavia, depois de toda revolução, e atualmente, excepcional educação, Cuba continua na ignorância. Com a intolerância da ditadura de Fulgêncio Batista, Fidel lutou pela sua. E muitos também o fizeram, sobrepondo sua crença e ideologia por cima da realidade, perdendo sangue e tirando sangue por poder.
De tantos “ismos” a nossa memória não agüenta, e tão pouco acredita. Ressuscitem o “Queremismo”, com um novo slogan,óbvio: “Queremos paz, desvinculada de ismos, livre de sistemismos!”